Haveria mais para dizer sobre o mundo que nos rodeia, sobre os problemas que atormentam, sobre os sonhos que temos, os pesadelos que matam a alma e a vida… mas se diz sobre isso porque ninguém quer saber…. Pede um momento para ser ouvido e ninguém o arranja, todos correm para a direita… para a esquerda… para a frente… para trás… para todo o lado, para lado nenhum… tudo por sabe-se lá o quê… contudo o que espera pelo tempo de alguém, está sozinho sentado provavelmente numa escada a pensar no que de facto seria a vida dele se alguém o ouvisse, se alguém o visse com os olhos de ver… talvez se tornasse algo de diferente… então, nessa situação divaga sem fim… à espera de um ouvido amigo que o queira ver como ser presente… não ausente…
Sem nada dizer, tudo dizendo, vê-se uma situação que muitos comentariam com um: “coitado, eis um exemplo de uma pessoa abandonada pela sociedade… não sei de facto até aonde vai a maldade deste mundo… não sei… não…”. Mas, por outro lado, se esse facto se tornasse concreto na sua vida de certeza que viraria costas… por isso é que se fala muito em crescimento económico, em lucros, em baixo défice orçamental… mas de facto, e aproveitando a forma de expressão de um político português, estamos em défice de racionalidade humanista, em défice de interesse verdadeiro pelo próximo, em défice de transmissão de afecto… e em excesso de rivalidade negativa, de necessidade de vingança de reduzir o outro em nada… mais do que propriamente para o que o outro tem e que eu tenha de ter… nada nos ensina para o bem, nada nos ensina para o mal… provavelmente daí parta o vírus de tudo isso… possivelmente… a falta de preocupação em ver o outro a atingir o objectivo de todos… a felicidade… contudo implementou-se o “eu primeiro, os outros vêm depois…”, mas esquecem-se que enquanto os outros estiverem tristes, nós também estamos… daí o Homem ser um ser civilizado e de necessidade de comunicação… mas isto tudo tornou-se sem dúvida numa selva sem líder, sem liderados… boa perspectiva de liberdade, contudo não deixa de ser uma liberdade desigual… entre os mais fortes e os mais fracos… dos mais ricos e dos mais pobres… dos mais habilidosos e dos mais pensativos… basicamente vivemos numa desigualdade de oportunidades e de situações, mas ninguém admite dar o primeiro paço para que isto mude…